sexta-feira, 14 de setembro de 2018
Dois fenômenos com alto poder de destruição, o furacão Florence e o tufão Mangkhut se formaram ao mesmo tempo no Atlântico e no Pacífico
Gabriela Lisbôa, do R7
Furacão Florence se aproxima dos Estados Unidos
O furacão Florence, que deve chegar aos Estados Unidos na madrugada desta sexta-feira (14), já é considerado “uma fera como nenhuma outra”, segundo a imprensa local. O Serviço Nacional de Meteorologia chama Florence de “tempestade do século” por causa dos estragos que ela pode causar.

Do outro lado do globo, as ilhas que formam o arquipélago das Filipinas também estão ameaçadas. O supertufão Mangkhut deve atingir a costa no sábado com alto poder de destruição.

A diferença entre furacão e tufão é apenas uma questão geográfica. O primeiro se forma no Oceano Atlântico, o segundo no Oceano Pacífico.

No caso de Florence e Mangkhut as diferenças param por aí. Os dois têm cerca de 900 quilômetros de diâmetro e ventos com mais de 200 quilômetros por hora. E fizeram os dois países ficarem em estado de alerta.

Nos Estados Unidos, moradores da Carolina do Norte, primeira região que deve ser afetada, estão fazendo estoques de mantimentos e se preparando para deixar as cidades mais próximas do litoral até tempestade passar.

Nas Filipinas, o governo já enviou equipes de resgate para províncias costeiras de Cagayan e Batanes, onde o tufão deve chegar primeiro.

A meteorologista Heloísa Pereira, da Somar Meteorologia, explica que é comum que furacões e tufões se formem nesta época do ano — inclusive ao mesmo tempo — porque a água dos oceanos está mais quente, o que favorece as baixas pressões atmosféricas.

“Esta ciclogênese é bastante comum entre os meses de junho e novembro em toda a faixa equatorial, é a temporada de tornados que se formam em águas do oceano Pacífico Norte e em águas do oceano Atlântico Norte”, diz.

O furacão Florence se formou no oceano Atlântico Norte e, em poucas horas, passou da classificação 2 para a classificação 4. Ele é considerado o mais intenso a atingir a região no mês de setembro desde 1989, quando o furacão Hugo chegou às carolinas.

Florence deve chegar à costa da Carolina do Norte ainda com classificação 4. Porém, segundo Heloísa, nos próximos dias, enquanto avança pela Costa Leste dos Estados Unidos, ele deve perder intensidade, como é comum para este tipo de fenômeno.
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“Aos poucos, ele vai atingir categoria 3 e depois, no domingo, deve chegar a categoria 2. Na segunda-feira ele já vira uma depressão tropical”, explica a meteorologista.

Apesar de enfraquecer, no decorrer deste trajeto o furacão ainda vai provocar muita instabilidade. O volume de chuva deve, facilmente, passar dos 300 milímetros e a água ainda vai estar acompanhada de ventos bastante intensos, que podem chegar a 220 quilômetros por hora.

Um outro detalhe deixa o Florence ainda mais assustador. Conforme o meteorologista Brandon Miller explicou à CNN, assim que o furacão chegar ao continente, os ventos que o empurram para frente vão deixar de fazer isso, o que significa que o furacão vai ficar muito tempo numa mesma região.

“Do final da quinta-feira até o começo do domingo, Florence vai andar “mais devagar do que o ritmo de uma caminhada” disse o meteorologista. O resultado é que a região das Carolinas deve ter mais de 24 horas de ventos fortes e tempestade. De acordo com Heloísa Pereira, neste momento em que o furacão vai estar praticamente parado, o acúmulo de chuva pode chegar a 600 milímetros.

É mais fácil entender o que isso significa se pensarmos que no último verão a cidade de São Paulo teve 50 dias chuvosos. Somados todos os dias, o volume total de chuva foi de pouco mais de 570 milímetros, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia.

Quando o furacão passar a costa e se transformar em uma tempestade tropical, deve provocar chuvas que devem acumular entre 40 e 50 milímetros.

O tufão Mangkhut, que vai atingir as Filipinas, está sendo localmente chamado de Ompong e é o mais intenso deste ano em águas do Pacífico. Com classificação 5, a máxina na escala, ele contém ventos de 205 quilômetros por hora e 900 quilômetros de diâmetro.

Quando chegar nas províncias costeiras de Cagayan e Batanes, que ficam no norte do país, na região do Vale Cagayan, deve causar chuvas muito fortes e inundações.

O governo local já se prepara para os possíveis estragos: equipamentos que podem ser usados em reste de vítimas e remoção de entulhos já foram enviados para o local. Moradores já começaram a preparar as casas e, nas ruas, grandes outdoors foram desmontados para minimizar riscos.

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