A Igreja Evangélica Luterana da Suécia enviou um polêmico pedido ao clero. A comunidade quer abolir os termos de gênero, como “Senhor” e “Ele” para se referir a Deus. De acordo com os Luteranos da Suécia, o objetivo é tornar a linguagem religiosa mais neutra, e as palavras “Senhor” e “Ele” se referem ao gênero masculino.
Arquidiocese de Uppsala Foto: Wikipedia
Segundo noticiou o jornal britânico The Guardian, o pedido faz parte de uma série de mudanças que a Igreja Evangélica Luterana da Suécia quer colocar em prática. Neste caso, trata-se de atualizar um manual de 31 anos cuja função é descrever como serão tratados os termos religiosos na linguagem, na liturgia e nos hinos. A medida entrará em vigor no dia 20 de maio, quando se comemora o feriado cristão de Pentecostes.

Em entrevista à agência de notícias suecas TT, a arcebispa Antje Jackelén, líder de uma antiga igreja estadual em Uppsala, a 60 quilômetros de Estocolmo, afirmou que Deus vai além das determinações de gênero.

– Teologicamente, por exemplo, sabemos que Deus está além das nossas determinações de género, Deus não é humano – declarou a líder religiosa, cuja igreja foi responsável por batizar 6,1 milhões dos 10 milhões de habitantes do país.

Na contramão das medidas que buscam atualizar as convenções da igreja luterana na sueca, está Christer Pahlmblad, professor de teologia na Universidade de Lund. Em entrevista ao jornal Kristeligt Dagblad, na Dinamarca, ele disse acreditar que a mudança vai prejudicar a “comunhão com as outras igrejas”, uma vez que a luteranismo sueco será conhecido “como uma igreja que não respeita a herança teológica comum”.

A Igreja Evangélica Luterana da Suécia tem sido alvo de críticas dos setores mais conservadores da comunidade. Em0 2009, ela passou a permitir a união entre casais do mesmo sexo, num movimento de inclusão da população LGBT do país.