Presidente se referiu à CoronaVac  Vacina é aposta de João Doria (PSDB)  Tucano é desafeto político de Bolsonaro.   

O presidente Jair Bolsonaro comentou na noite dessa 5ª feira (24.dez.2020) o desempenho da CoronaVac, vacina contra a covid-19 desenvolvida pela chinesa Sinovac. 

A farmacêutica tem parceria no Brasil com o governo de São Paulo, comandando por João Doria (PSDB), desafeto político de Bolsonaro.  “A eficácia daquela vacina em São Paulo parece que está lá embaixo, né?”, falou Bolsonaro em transmissão ao vivo em seus perfis nas redes sociais.  

Na 4ª feira (23.dez), o governo estadual informou que o imunizante atingiu o patamar mínimo de 50% de eficácia para poder solicitar o uso emergencial à Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). 

A gestão de Doria, no entanto, não deu mais detalhes.  “Não vou divulgar percentual aqui, porque se eu errar 0,001% eu vou apanhar da mídia, mas parece que o percentual tá lá embaixo”, declarou Bolsonaro.  

O presidente voltou a dizer que o governo federal só vai comprar imunizantes que sejam aprovados pela Anvisa. Disse também que a União não se responsabilizará por eventuais efeitos colaterais.  “Não vou aceitar uma vacina que não está comprovada ainda, que está na 3ª fase experimental. Não vou me responsabilizar. Quem está com pressa que se responsabilize.”  

O governo de São Paulo já adiou 4 vezes a divulgação dos resultados dos testes da CoronaVac. Dessa vez, argumentou que a Sinovac decidiu reavaliar os dados.  Em entrevista à rádio CBN nessa 5ª feira (24.dez.2020), o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, afirmou que a CoronaVac não atingiu os 90% de eficácia nos testes realizados no Brasil. 

Afirmou, no entanto, que isso já era esperado.  “Sabemos que a efetividade jamais atingiria 90%. Mas o que nós não imaginávamos era que a empresa queria uma unicidade, um resultado muito próximo em todos os países”, declarou.  

A Turquia anunciou na 5ª feira (24.dez) que os testes feitos no país, com cerca de 1.300 voluntários, indicaram que a CoronaVac tem eficácia de 91,25%.  

O governo federal fechou acordo com a AstraZeneca/Oxford. A parceria prevê a compra de 100,4 milhões de doses e transferência de tecnologia para produção do imunizante pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz). Só que os estudos da última fase de testes foram comprometidos por um erro de dosagem.  

O Brasil tenta garantir vacinas de outras farmacêuticas. Assinou um memorando de entendimento para a compra de 70 milhões de doses do imunizante da Pfizer/BioNTech.  

No fim de outubro, o Ministério da Saúde chegou a anunciar que compraria 46 milhões de doses da CoronaVac. 

O protocolo de intenções que estabelece as condições da compra foi assinado pelo ministro Eduardo Pazuello. Um dia depois, Bolsonaro afirmou que cancelou o acordo.  

Agora, o governo federal voltou a considerar o imunizante chinês e a incluí-lo no plano de vacinação.