Como fica próxima à linha do equador, lançamentos realizados Centro de Lançamento de Alcântara reduz os custos em até 30% (Imagem: Reprodução/Agência Espacial Brasileira)
Nesta quarta-feira (28), a Aeronáutica irá anunciar as primeiras parcerias com empresas privadas que vão explorar o Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão. Esses são os primeiros acordos fechados com a iniciativa privada para o uso compartilhado da base, que é mundialmente conhecida por ter localização bastante privilegiada, a qual permite economia de até 30% em determinados tipos de lançamentos.

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Recentemente, a AEB havia anunciado o segundo edital de chamamento público para empresas que queiram utilizar as instalações com foco na atração de empresas que tenham capacidade de realizar lançamentos de maior porte, além de explorar os nove mil hectares da base. O primeiro chamamento proporcionou o envio da documentação de 14 empresas, sendo que nove delas, tanto brasileiros quanto estrangeiras, apresentaram propostas finais.

Nesta terça-feira (27), em entrevista ao jornal Estadão, Carlos Moura, presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), comentou que o anúncio de amanhã irá revelar os primeiros acordos fechados com nove empresas, que se interessaram na base e nas operações que podem ser realizadas nela: “a base de Alcântara é a joia da nossa coroa, um local privilegiado onde vamos receber diversos tipos de operação”, disse ele. “Não se trata de ser alugada ou estendida, a Aeronáutica é o órgão que opera a base com serviços e logística, e é ela que vai prestar serviços para as empresas”, explicou.

Como fica próxima à linha do equador, lançamentos realizados Centro de Lançamento de Alcântara reduz os custos em até 30% (Imagem: Reprodução/Agência Espacial Brasileira)

A expectativa é que as primeiras atividades sejam iniciadas entre o fim deste ano e o início de 2022 e, de acordo com Moura, a base poderá receber desde veículos de lançamento até empresas que queiram utilizar as instalações para realizar lançamentos contínuos. Por ora, é esperado que o foco das atividades seja voltado para lançamentos de nanossatélites, que podem dar apoio a sistemas de monitoramento.

Alguns testes de operações já foram realizados, e pequenos lançamentos ocorrem por lá há cerca de um ano e meio, mas ainda não houve uma “estreia” propriamente dita: “imaginamos que, com essas empresas previamente qualificadas e com veículos inscritos, podemos finalmente dizer que Alcântara já lançou um satélite”, acrescentou Moura. “Esperamos que, em breve, isso ocorra com um veículo lançador brasileiro; é o início da fase de lançamentos orbitais, vamos conseguir colocar satélites em órbita”.

Vale lembrar que a chegada das empresas deverá representar também um fôlego ao orçamento da base, já que restrições orçamentárias foram aplicadas recentemente nas operações espaciais — na semana passada, a AEB sofreu um corte de R$ 1,2 milhão em seu orçamento, que também atingiu a implantação do centro espacial de Alcântara.

Além disso, Alcântara pode proporcionar redução de custos considerável nas missões espaciais, e um exemplo disso é o satélite Amazonia-1: a espaçonave irá monitorar o desmatamento da região amazônica junto de desastres ambientais, reservatórios de água e outras aplicações, e foi lançado na Índia, em fevereiro. Carlos Moura explica que o lançamento ocorreu em outro país porque o Brasil ainda não tem empresas com veículos capazes de realizar um lançamento do tipo, mas isso pode mudar: "mas agora saberemos que empresas poderão fazer isso", finaliza.

Fonte: EstadãoSputnikAEB